O casamento

Tenho uma amiga que diz que alguns anos são considerados anos de casamento e outros, anos de enterros. Espero que não seja exatamente assim, mas este é o ano dos casamentos. Nestas celebrações recentes reparei algumas coisas: 1) casamento voltou à moda 2) as pessoas acreditam no amor 3) as histórias se repetem. Também reparei em dois erros (ao meu ver) que continuamente são praticados pelos noivos: 1) escolhem uma dama de honra de menos de 4 anos de idade que sempre chora ou olha horrorizada para a platéia maquiada 2) os noivos não aproveitam a festa porque ficam tirando fotos protocolares antes de tudo. Minha sugestão é que deixem para a tirar as fotos no final da festa, ou outro dia e aproveitem a noite (ou o dia). Muita gente vai embora do casamento sem ter conseguido cumprimentar os noivos. Outro dia o taxista falou que as pessoas que casam não têm idéia do que as aguarda. Eu não sou casada, mas concordo, visto que convivência é a coisa mais difícil do mundo. Mas acho que é um exercício importante e eu gostaria de praticar (um dia talvez quem sabe). Porém, acho muito engraçado o povo que fica noivo e começa a falar sobre vida a dois com os solteiros. Pedante! E mais, é muuuuito assustador ver pessoas totalmente repulsivas com uma aliança na mão. Tipo, será que realmente tem um par no mundo pra cada um?? Num dos últimos casamentos que fui, já na festa, começou a tocar um forrozinho. Não tenho a habilidade, mas fiquei com vontade de tentar uns passos. Logo todo mundo se agrupou em duplas e começou a dançar. Sobrei. Fiquei com meus passinhos sozinha até que uma mão me puxou. Era o noivo. Divertidamente e sem perder a compostura, a gente rodopiou na pista até o fim da música. Pensei sobre o fato. É admirável um homem que sabe se divertir com outra mulher sem ser vulgar, sem segundas intenções e sem medo de ser pego no flagra. Não somos bichos, Sr. Darwin. Homens e mulheres podem sim conversar, rir e dançar juntos sem necessariamente o intuito do acasalamento. Sobre isso asseguro a verdade e dou fé. Mas o casamento... Seja lá qual for a cerimônia, a verdade é que é o dia da noiva, não tem jeito. Aí os machistas reclamam, reclamam, reclamam... e depois reclamam que as mulheres reclamam. Mas afinal, elas merecem. E o que fazem estes homens da vida a não ser procurar o que há de mais próximo de um casamento? Casamento é coisa cara, por isso tente não ir embora cedo da festa. É simpático prestigiar seu amigo ou amiga que economizou tanto para poder comemorar com você. Também é simpático dançar alegremente e comer moderadamente. Só leve os arranjos se realmente encontrá-los no lixo. E tire o salto só depois de Twist and Shout. Casamentos são clássicos. Grandes clássicos. Tentam inovar, colocar colares, néons, chapéus gigantes, músicas diferentes. Ok. Mas o que acontece é que a gente sempre encontra a noiva de branco, jogando o buquê e girando a saia rodada ao som de Dancing Queen. Flashes eternos. Como, a princípio, seria também um casamento.

por Didi às 00h03
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O grande pai
A Lili fez um texto sobre o dia dos pais (em atraso) e eu decidi fazer um sobre o meu. Afinal, eles (os pais) são tão especiais, queridos, atenciosos e tão tão tão peculiares... Meu pai é o mais velho de uma família de dez irmãos. Ele é um homem muito responsável, trabalhador e esforçado. Mas que guarda suas características intrigantes, interessantes e enigmáticas. Vejamos algumas. Pelo telefone Papai adora comida chinesa de um lugar X. Sempre pedíamos pelo telefone quando morávamos em outro ponto da cidade. Aí, nos mudamos e o lugar X não entrega aqui, mas recomenda sua sede mais próxima de onde moramos. Ocorre que papai cisma que lá não é bom, que ele quer do lugar X, então, durante 6 meses ele ligava toda semana para lá e perguntava se eles entregavam aqui. Eles não entregavam. E ele sempre com o mesmo discurso: “Não! Lá a comida vem toda revirada. Este atendimento está horrível. Estou indo para a concorrência”. Passava uma semana e ele ligava de novo pro X. Sem contar quando alguém liga para oferecer assinatura de alguma revista ou jornal. Aí papai costuma falar mais que a telemarkista: “Olha, moça, eu sei que você tem que vender e bater metas, mas eu não posso assumir o compromisso de pagar alguma coisa assim pra sempre. Eu não quero assumir isso. É porque eu ficarisa preso, sabe?! Por exemplo, você tem casa de praia?”, e a telemarkista, “Não, senhor”, “Pois é, imagine se tivesse casa de praia, seria obrigada a ir todo fim de semana para lá. Não poderia nem variar a praia, porque você teria sempre que arrumar a casa...”. E continuava até a ligação “cair”. Mais um membro da família Papai nunca quis cachorro, nunca quis fazer um carinho em cachorro nenhum. Nunca se comoveu com esses bichos. Parecia um coração de gelo até que cheguei de surpresa com o Peter. Passadas algumas semanas, ele se apaixonou pelo cãozinho. Tanto, mas tanto, que a coisa se inverteu. Hoje o Peter sabe fazê-lo doar metade do almoço para seu paladar canino. O Peter dorme na cama dele, no travesseiro dele e fica irritado se meu pai tenta qualquer coisa para impedir. Peter já comeu mais de 10 bandejas de presunto que papai “esquece” em lugar acessível para ele. E agora, (quem te viu, quem te vê), papai é um eterno defensor dos animais em todos os cantos que vai e joga pão de queijo escondido pra yorkshire da irmã. Vida Perigosa Quando eu era adolescente achava chatíssimo pedir meu pai a tal aprovação para ir à alguma festinha. Isso porque meu pai exigia uma antecedência mínima de 7 dias para ele pensar se iria deixar e fazia questão de inúmeros dados como o tipo de local, tipo de música, número de pessoas, refeições, motivações da festa etc. Era tão chato que eu quase não saí na adolescência só de preguiça disso. Na juventude já foi mais fácil, mas ele estabelecia normas para emprestar o carro:“se levar o carro, tem que voltar até meia noite”. Então, por isso, eu quase nunca pegava o carro, mas pegava carona com a Luciana, a Luiza e outras amigas que não tinham essa limitação. Até que um dia a Luiza fez a seguinte observação “Seu pai não quer que você vá de carro por segurança, né?! Mas suas amigas podem ir e tudo bem?”. Ironicamente, sim. Também na época da escola, eu costumava voltar à pé ou de ônibus, mas papi leu nos jornais que a cidade estava mais violenta e passou a cobrar que eu voltasse de táxi quando não tivesse carona. Balancei a cabeça e continuei voltando à pé ou de ônibus, afinal, eu voltava com meus colegas, era realmente superseguro no sol da tarde. Certa vez, descendo do ônibus, dei de cara com o carro do meu pai na rua. Na culpa, acabei ligando pra ele e esclarecendo a situação. Em vão, pois ele nem tinha me visto... Direção Meu pai é realmente uma pessoa admirável. Ele sabe escrever bem, é um ótimo calculista, entende de construções, máquinas, informática, biologia, demografia, estatística... Ele é um “cabeção” como dizem alguns. Sempre dá aulas extras para os sobrinhos em recuperação e foi quem, a vida inteira, me ajudou a passar em matemática. Mas se tem uma coisa que papai ainda pode aperfeiçoar, é no volante. Ele dirige focado em outros assuntos e acaba atrasando a vida de todo mundo. Exemplos? Quando eu era pequena, achava que o certo era andar no meio de duas pistas. Também achava que dar seta era uma mania da minha mãe. Mas como ele dirige bem devagar, é quase inofensivo aos outros seres da rua. Perigo só para os apressados. Mas até que ele ganha de mim na corrida de elevador... Leituras Meu pai e eu temos o hábito de ler na cozinha. É nosso ponto de encontro. Atualmente estamos lendo o livro nutricional chamado “Uma Maçã por Dia” que fala sobre mitos e verdades em torno dos alimentos (ótimo, recomendo!). Um de nós lê, o outro ouve e depois comentamos o capítulo lido. Quando não é o livro, é jornal, revista, teste de revista etc. Porém, me intriga que papai nunca lê meu blog. É zero coruja, sabe?! Aí descobri uma forma de fazê-lo ver coisas que eu quero que ele leia: mando por e-mail. Ele sempre vê tudo que está no e-mail. Todos os powerpoints, tudo tudo tudo. Ele vê com a maior paciência. Então, papi. Este texto vai para o seu e-mail. Vai também para o meu blog. Espero que considere uma homenagem. Pois falar de você é falar bem, e é também sentir saudades do meu companheiro de xadrez, de caminhadas, de restaurante à quilo... É querer ser uma filha melhor para o melhor pai do mundo. E também, o mais divertido! 
por Didi às 01h15
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