Vista Da Cidade


Sampa, Beagá e Rio

 

Recebi um e-mail de feliz aniversário da moça que cortou o meu cabelo em São Paulo. E não era um e-mail padrão. Ela comentava coisas que conversamos no salão e dava os votos de felicidades.

Fiquei impressionada. Primeiro porque ela se lembrava, segundo porque ela se deu ao trabalho de ir até o computador escrever uma mensagem fofa para alguém que nem será cliente com freqüência, uma vez que eu moro em BH e só estive em Sampa a passeio.

 

São Paulo é uma cidade maravilhosa na questão relacionamento com o cliente. E, com certeza, isso se deve à enorme concorrência. O ambiente mental da cidade vibra a vontade de agradar na medida certa. Estivemos num bar/restaurante chamado Bar da Onça e chegamos bem depois da hora de fechar, eles apenas aguardavam os últimos clientes fecharem a conta. Atenderam-nos com cortesia e explicaram que a cozinha já estava fechando. Lamentamos, explicamos que éramos mineiros... E, quando viramos as costas, ouvimos o chamado. Eles reabriram. Ofereceram o que havia de melhor e reaqueceram a máquina dos churros para provarmos a famosa sobremesa. Ficamos fãs!

 

Em outro ponto, numa loja de roupas, comprei algumas peças em promoção e terminava de pagar quando perguntei com fome: “Tem alguma lanchonete aqui por perto?”. A gerente informou que tinha uma muito boa há duas quadras. Começou a explicar e mudou de idéia, “ah, eu vou lá com você”. Ela foi, me apresentou o lugar e lanchou comigo. Contou que nascera numa tribo indígena e foi morar em São Paulo com 10 anos. Uma história superinteressante que ganhei de brinde na hora do lanche.

 

Fora isso, tivemos ainda diversos outros bons atendimentos, pequenos gestos de delicadeza e a boa vontade que sentimos em cada pessoa.

 

Em BH, temos de tudo: pessoas com boa vontade, pessoas com má vontade, pessoas com vontade alguma. Claro, em Sampa também, mas eu defino a boa como padrão para lá. Gosto muito do atendimento do Creps, por exemplo. Os funcionários já sabem o ponto que eu gosto da massa e são sempre, sempre, sempre muito simpáticos. Gosto também da maioria das lojas. Ontem a Giullia da Maria Filó foi tão cortês ao trocar uma blusa que acabei gastando mais e levando mais blusinhas. Assim como as meninas da Chilli Beans, Lucy in the Sky e várias lojinhas, feirinhas, brechós, salões etc. Porém, existe uma... ali na rua de trás do Diamond Mall que me deixou chocada com o atendimento. Além da mulher não levantar da cadeira para receber ninguém, quando eu perguntei se era fabricação própria, ficou “ofendida” e começou a reclamar que eu nunca perguntaria isso se fosse numa loja famosa. Sabe esse complexo de inferioridade mineiro? Ridículo. O porteiro do prédio do lado falou que todo mundo sai da loja reclamando do atendimento. E pega mal pra Beagá, né?! Sem noção...

 

No Rio eu era fã de tudo. Tenho muita vontade de morar naquela praia. Lá também dá de tudo. Mas a maldita malandragem também é freqüente. Se você é turista, cobram mais caro. Na conta, os 10% do garçom eram 13%. Numa casa da Lapa, depois de meia noite, mulher paga, mas eles te seguram até 23h59m para cobrarem depois. Não aceitei. Mas, tirando isso, muita gente é fofa também. Adoram mineiros.

E isso não é necessariamente só em relações de consumo. Em BH existe um fenômeno acontecendo que é o de excesso de mulheres. Aqui as mulheres, em sua maioria, são lindas, interessantes, simpáticas e inteligentes ao mesmo tempo. Enquanto os homens, os mimadinhos de cassa, são estranhos, medrosos e muito imaturos. Mas temos ainda salvação. Adoro minha turma da faculdade. Adoro meus colegas de trabalho. Nem tudo está perdido. Além disso, temos sempre a possibilidade de botar o pé na estrada e rever esse mundo mágico da gentileza, da beleza do gesto, da doçura no trato do dia-a-dia.



por Didi às 12h32



Refletindo sobre liberdade e felicidade. Um post sério.

 

Outro dia comentei no trabalho que se fosse saborear tudo que tenho vontade, seria uma pessoa enorme. Aí me questionaram “e daí?” e respondi “e daí que eu gostaria de beijar na boca de vez em quando também”.

Na verdade, a resposta certa seria “e daí que eu teria problemas de saúde, teria menos fôlego para passear com meu cachorro, jogar futebol aos sábados, patinar com meus primos, subir e descer ribanceiras atrás de insetos legais, dormir tarde e acordar cedo”. E daí isso.

Mas entrei na ondinha do beijo na boca e emiti a resposta errada. Então vieram me falar que a mulher que se ama, sempre terá um homem para amá-la, que a aparência não é importante e tal.

Pois bem! Eu ri, mas pense bem, apesar de a aparência ter a sua importância sim (!) e de eu me amar muito sim (!!), realmente não preciso emagrecer ou deixar de engordar para ninguém além de mim, a eu mesma!

Faz algum tempo, muito tempo para a minha idade, que não me ligo mais na idéia de encontrar um homem ideal. Primeiro porque meu dedo é podre mesmo. Segundo porque não faz tanto sentido mais, para mim, colocar a felicidade em beijo na boca.

Assistindo a um programa especial do Saia Justa, as garotas lembravam Simone de Beauvoir que colocava a função da mulher na procura da liberdade e não da felicidade.

Eu não sabia desse “detalhe”. Mas, claro! Adorei! A liberdade, assim como a felicidade, é dificílima de conquistar, mas totalmente pertinente de ser buscada. E a conquista da liberdade deve realmente ser prioridade para a mulher uma vez que a felicidade pode ser a sua conseqüência. E colocar um homem no meio disso tudo não é o mais aconselhado. Eles podem ser ótimas companhias, mas e se não forem?

Não assim gostaria que fosse compreendido que julgo uma mulher pela quantidade de homens ou não. Isso não é problema meu. Nem seu. Como diria uma amiga, “a vida sexual é como uma opção de se vestir de verde ou azul: ninguém tem nada com isso”. E a liberdade, ainda bem, não se limita à vida sexual, embora muitas vezes isso seja confundido. No meu ainda juvenil entendimento, a liberdade está em ter o conhecimento e a capacidade para poder fazer o que quiser e, assim, ser feliz!

Está longe para mim. Preciso comer arroz demais, pisar em pedra demais, suar horrores até poder escolher tudo que quero. Mas faz tanto sentido agora...

Por isso o regime, por isso o futebol, por isso o blog, por isso Peter, Buenos Aires, dois cursos, cabelo repicado e a galinha que comprei há dois meses. Porque é o que no momento quero. E posso.



por Didi às 00h29


 

De Belo Horizonte, Minas.

vistadacidade@yahoo.com.br


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