Vista Da Cidade


Nossos dias de amigo oculto

Na escola. No primeiro, no segundo e no terceiro ano, éramos três. Eu havia mudado de unidade. E do quarteto, passei para um grupo de três grandes amigas.

Duas sonhavam em fazer Medicina. Eu não. Eu sonhava com algo muito diferente do que sonho hoje. Mas nunca foi Medicina. Embora seja lindo.

Uma delas seguiu a carreira da saúde, a outra, trocou o rumo para a Biologia. Escolha acertada, julgo eu.

Porém, pouco antes disso, elas se desentenderam. Sem ofensas, sem gritos. O que aconteceu um grande desencontro mesmo. E com isso, um silêncio irritante.

Eu, no meio, tentava ser diplomática. Até que apelei. “Olha, ela não quer conversar com você”, “Olha, você está sendo muito injusta”. As duas ouviram.

Passado um tempo, a da Medicina me procurou. Estávamos passeando com os cachorros quando ela me disse “Vou fazer uma carta para ela, acho que a gente pode tentar resolver pela última vez”. Aceitei de imediato.

Algumas semanas depois, a da Biologia contou “Estive pensando muito naquele assunto, acho que vou fazer uma carta pra ela, talvez eu tenha sido rígida demais”. Ótimo, a idéia pairava no ar.

A primeira a me entregar a carta foi a médica. Fomos num dia de chuva para a casa da outra. Ela estava na porta da casa conversando com os pedreiros de uma obra na garagem. Paramos o carro longe. Nos escondemos igual na guerra de trincheiras. Até que a garota voltou para dentro de casa e fizemos como mandava o protocolo (o nosso!). Corremos na chuva com a carta na mão. Posicionamos na entrada. Tocamos campainha e saímos correndo. Fomos apanhadas pela mãe dela que correu atrás da gente com vontade de trucidar. Mas ela nos perdoou. Que mãe não perdoaria?

Depois do dia de trincheiras veio a segunda carta, da moça dos pedreiros, da Biologia, da nossa querida amiga que é também bailarina. Ela me passou a carta. Eu passei para a outra, a da chuva, da Medicina. A que se veste de palhacinho para alegrar crianças no hospital, que faz o melhor bolo de chocolate do pedaço!

Dessa vez, coloquei na caixa de correio dela sem susto, avisei pelo interfone e voltei para o trabalho, que fica ao lado.

O resultado, encontrei no orkut das duas, na pequena mensagem que só os amigos podem ler e só os mais próximos, entender: “Ei, a Didi deixou sua cartinha aqui. Obrigada! Vamos encontrar! Temos tanto o que conversar. Tanto tempo perdido...”.



por Didi às 23h12



Cinco anos de Vista

Quando a gente começa algo, trata com o maior carinho. É um filho que nasce, um emprego que começa, uma empresa que se abre. Toda criatura nos traz um pouco de Criadores.
Com o Vista da Cidade foi assim. Uma sede de falar, comunicar, uma gracinha ou um pensamento sério. O primeiro texto do blog já sumiu em sua hospedaria antiga. Ficou esse daqui, renovado, menos cheio de triqui-triquis. Um blog que me acompanha há cinco anos, que nunca falou mal de pessoa determinada, que nunca reclamou do namorado, que nunca discutiu problemas familiares. E, com isso, fui criando a miragem de que não tenho problemas, de que gosto de todo mundo, que não conheço sofrimento... Se por um lado isso é bom, por outro é falso. Não é preciso dizer que não só tenho meus problemas, como também sofro com os dilemas do mundo. Queria abraçar o planeta, quiçá, salvar o universo. É uma pretensão que aceito, mas sei que preciso consertar muito em mim antes de partir para fora...
O blog é uma fuga antes da hora. É a voz que escuto dentro de mim, que vem de uma menina que parou na adolescência e fica pedindo para não sair. É a síndrome do Peter Pan. Mesmo quando trabalho doze horas por dia, assisto às aulas sem dormir e apresento trabalho no dia seguinte. Mesmo quando guardo confidências indizíveis, mesmo quando vejo o horror na minha frente. Ser mulher não é fácil, eu garanto.
Quando me vejo enfrentando situações delicadas, buscando soluções com o menor número de conflitos, aceitando responsabilidades que não são apenas minhas e criando idéias que podem facilitar a vida, nessas horas me lembro daquele filme “À Procura da Felicidade”, pois, com o perdão de quem não viu, depois de muita luta, o senhor Chris consegue o sonhado emprego. E, é na rua, no meio de uma multidão, quando começa a bater palmas para si mesmo. Para si mesmo. Ninguém melhor que a gente para reconhecer que superamos um limite, que estamos dando o nosso máximo. Que estamos sorrindo por fora e doendo por dentro. Ninguém melhor que nós mesmos para engolir um sapo e cuspir borboletas, sabendo que isso é o mais correto a ser feito. Portanto, eu aplaudo.
Hoje gosto de mim mais do que nunca. Não que me ache perfeita, não que me ache linda. Só acho que estou no caminho que escolhi seguir.

E o blog com isso? O blog é uma pincelada desse caminho. Ele demonstra pensamentos e idéias de cinco anos. Com o cuidado de não ser indiscreto e não ser estúpido. Com o cuidado de não fazer mal.

Aqui descobri que meus maiores ídolos não estão nas novelas. Eles podem estar no meu prédio, no meu trabalho, na fila do restaurante. Aqui entrevisto, ensaio, dialogo, brinco. A cada novo texto, uma nova vista. Com ele fiz amigos, arrumei emprego, terminei namoros, passei feriados.
Hoje tenho vários blogs. Cada um com uma pauta diferente. Sou múltipla, embora pretenda ser única. Quero sim agradar a todos, e nem sempre venho em primeiro plano. Quero ser sonhadora sem pieguice. E quero ser artista, mesmo sem o dom. O blog é um eterno correr atrás. Meu mundo de Amélie Poulain. Porém, eu aplaudo. Cada letra que está aqui, é uma conquista de dentro para fora. É uma criação que alimento sozinha. De Belo Horizonte para o mundo.



por Didi às 23h20



O caso da peladinha

Sim, vou falar de algo que os homens adoram. Ahan! É de futebol que eu quero falar, rapazes!
Seguinte! Em julho, eu estava toda feliz patinando quando fui convidada para praticar outro esporte. “Jogar futebol? Mas eu não sei nada”, dizia. “Não tem problema, a gente só precisa completar o time”, dizia a Karla, bem profissionalmente!
Karla é minha colega de trabalho. Assim como a Mariana, a Janice, a Mara, a Gabi, a Valéria e várias outras. Todas da mesma empresa, de diversos setores e cargos diferentes, se uniram com o ideal, até então, de completar o time.
Naquela sexta-feira à noite fomos jogar numa quadra enorme, assistidas por muitos homens suados que ficavam por lá bebendo e gritando. Também tivemos a presença de alguns de nossos colegas, que não acreditavam muito na iniciativa, mas ajudavam como goleiros!
Adoramos! Rimos à beça (saudade do Rio!). E prometemos continuar.
E continuamos. Alugamos uma outra quadra no sábado posterior. Desta vez, até o Peter foi assistir. Porém, das quase vinte confirmadas, somente quatro apareceram. O resto não agüentou acordar, ou passou mal. Aquela quadra ficou cara. E passamos vergonha.
Começamos a chamar pessoas de fora da empresa para os próximos jogos. Amigos de escola, da faculdade, do inglês, da música, do estágio antigo... Pregamos convites no elevador, no e-mail da turma etc. O povo foi aparecendo. Os jogos passaram a ser na quadra do prédio, para não ter que gastar com aluguel de quadra.
Quase todo sábado a gente tem peladinha. O Peter empresta a Wilson dele e todo mundo joga feliz. Quando tem número ímpar, a gente joga desfalcado mesmo, empresta jogadoras, ri quando faz gol contra, se abraça quando dá pontapé... Um jogo de damas!
Eu continuo sendo péssima de bola, mas me divirto como nunca pensei ser possível. A relação no trabalho melhorou, nosso fôlego aumentou, a barriga diminuiu. Reencontrei velhas amigas e conheci ótimas pessoas. Nosso time é cada vez mais completo.
Concordo com os homens. A peladinha deve ser sagrada!

por Didi às 15h51


 

De Belo Horizonte, Minas.

vistadacidade@yahoo.com.br


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