Julinha
Ontem foi aniversário de uma amigona minha e não consegui falar com ela. Houve um tempo em que éramos unha e carne. Eu ia com ela opinar onde deveria realizar a festa de aniversário, que roupa comprar, que salgado comer etc. Ela retribuía da mesma forma. Sábado a noite era batata. Dava umas nove da noite e, se eu não atendesse o celular, ela mandava uma mensagem atrevida pra gente poder combinar algo.

O apartamento dela virou QG da turma. Lá fazíamos brigadeiro de panela, mexíamos com massinha e baralho (coisa que sempre foi minha frustração). A Julinha sempre segurava as pontas pra gente, sempre apoiava, sempre mandava mensagens de conforto e pra acordar de manhã. Aí, um belo dia, ela resolveu ir pra Londres. Lugar muito frio pra uma moça de Janaúba, mas tudo bem. A gente combinou de madrugar no aeroporto pra despedir dela, até que descobrimos que ela ia pra outro aeroporto. Demos um jeito. Depois a Ju voltou da Europa pra cidade dela. Agora a danada não atende telefone. Tenho vontade de copiar uma daquelas mensagens de sábado a noite. Uma mensagem curta, meio mal-criada, meio punk. Que na nossa linguagem significava "sinto sua falta". Feliz aniversário, querida!
por Didi às 13h23
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Abobrinha
Outro dia fui almoçar com alguns amigos. Estava alegremente conversando com a Catarina quando vimos o garçom falar para a Luiza que alguma coisa tinha acabado, o que a deixou bastante transtornada. Os meninos começaram a rir e eu e a Catarina ficamos sem entender. "Mas o que foi que acabou?", perguntava sem resultado. "Pelo visto, foi a água no mundo.", concluiu Catarina.
Depois de um tempo, o alívio: Na verdade, a garota queria muito um pedaço da pizza de abobrinha!
por Didi às 08h43
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Minha vida de professora
Certo dia, durante a aula de Artes, meus alunos folheavam revistas e um gritou “gente, olha esse cara aqui”. E levantou a revista para todo mundo ver. Eles acharam o estilo do moço da foto diferente. De fato era diferente sem perder a simpatia!
Fui ver também. E fiquei surpresa: “Gente, o Arroz!”. Era meu antigo colega de faculdade, cujo apelido, como já disse, era Arroz.
O problema é que os meninos eram desconfiados demais. Acharam que eu tinha inventado aquilo (e eu sempre me pergunto "pra quê iria inventar uma coisa dessas?"). E continuaram folheando as revistas com os seguintes comentários “Olha essa, é a berinjela, minha amiga”, “E esse aqui, o lasanha, meu vizinho”, “E o sardinha! Companheirão!”...
E ao longo do semestre inteiro eu era surpreendida com as perguntinhas sarcásticas “E aí, professora, notícias do Arroz?”.
Aí cansei. Antes do final das aulas do semestre, fiz umas ligações telefônicas.
No último dia de aula o som da escola anunciou meu nome e dizia “favor comparecer à recepção” (sim, igual médico). Pedi licença aos alunos e quando voltei estava acompanhada. Era o Arroz, claro! Meu colega atendeu meu pedido com a maior boa vontade. Explicou como apareceu na revista, porque tinha o apelido de Arroz, o que fazia da vida etc. Eles adoraram. E passaram a duvidar menos de mim. Eu disse “menos”.
por Didi às 14h57
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