Eu queria ser uma pessoa boa, sem ser boba. Mas tem vez que fico tão chateada com os outros, que resolvo nem ser boa. Aí, encontro meus alunos lindos e mudo de idéia. Vejo meus pais, alguns parentes, alguns amigos e até chefes e fico com a impressão que todo mundo é legal, honesto e bom. Doce ilusão...
Estava esperando o ônibus e um homem chegou pedindo licença todo humilde. Tudo bem. Ele começou a me falar quase chorando, ofegante, tremendo. Disse que tinha acabado de ser assaltado, que morava no bairro São Francisco, precisava de dinheiro pra voltar pra casa. Fiquei comovida. Tirei tudo que tinha de trocado no bolso. Dei R$1,15 pra ele (não dava pra pagar um ônibus ainda). Para minha surpresa, ele pegou o dinheiro e saiu andando tranqüilamente, quase rebolando. Achei estranho. Oras, gente desesperada não rebola. E por que ele não entrou na primeira loja que encontrou para pedir pra telefonar pra parentes ou para a polícia? Cheguei à conclusão que eu já temia: fora feita de boba.
Segui o cara. Estávamos na Floresta e eu conheço bem aquele bairro. Distância regulamentar. Toda hora ele olhava para trás. Eu escondia atrás de árvore, poste, pessoas. Adorei! Ele chegou em outro ponto de ônibus. Conversou com duas moças. Elas não deram nada para ele e ele foi embora, sem perder o rebolado. Aproximei-me das moças e batata, ele contou a mesma história e pediu dinheiro para o ônibus (não pediu para completar o que faltava... ai, que golpista). Elas não tinham nada além do dinheiro pro ônibus delas e não deram. Também comentaram que acharam esquisito o rebolado posterior. Olhei pro fim da rua. Lá estava ele. Gritei “ladrão”! Meu ônibus chegou. Perdi um real e quinze centavos. Ganhei uma micro-aventura e assunto pra cá. Ele ganhou um real e quinze centavos, e perdeu a dignidade. Doce ilusão...
por Didi às 23h37
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Ninguém é de aço
Tem dia que tudo que a gente precisa é de um abraço. Dia frio. E agasalho não tem coração. A gente precisa de um abraço. Um abraço de consolo. Um abraço de carinho. Um que chegue com saudade. Ou um de felicidade. Precisa durar mais que o estalo de um beijo. Tem que dar tempo de sorrir sem os dentes, fechar os olhos e soltar água salgada. Tem que respirar fundo e inspirar com cuidado. A gente precisa de um abraço bem dado. Um abraço apertado. Com trilha sonora e câmera lenta. Para recarregar as pilhas. Desatar o nó da garganta com o laço de um abraço. Todo mundo um dia busca. É um gesto tão simples, tão esparso... Que em nome do afeto, te completa um pedaço.
por Didi às 22h25
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Sangue B
Eu só posso festejar que não sou ligada a tradições, pois os chocolates passaram longe da minha casa no feriado. Em compensação, algo que eu queria há tempos, aconteceu. Não, não fui contratada pelo Palácio das Artes... O que aconteceu foi que sentei na frente do computador e editei o vídeo de aniversário da minha avó. Sabe quem me ensinou? Minha mãe. Como se não bastasse ser médica, consertar carro, cozinhar de tudo, construir sua própria escrivaninha, jogar buraco, cruzar piscina olímpica de uma vezada só, fazer esculturas, pinturas, subir em árvore, fazer uma casa na árvore para os sobrinhos, aprender a tocar flauta sozinha e montar esqueleto de preguiça gigante, ela sabe editar vídeo e ensinar tudo que faz. Cada dia admiro mais essa moça. Ela vai longe, mas volta pra me pegar!
Para eventuais comentários vistadacidade@yahoo.com.br
por Didi às 00h54
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Das tiradas bem colocadas
X - E então, como foi a viagem para a Argentina? Y- A foi muito boa, mas teve um problema, eles têm mania de "bom ar" lá. Tudo cheira à "bom ar", enjoa. X - Ué, mas é por isso que a capital se chama "Buenos Aires".
por Didi às 00h04
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