Dias do Nada
Era 1996. Um grupo de meninas se reunia no pátio do colégio durante o horário vago. Uma delas acabara de comprar um lindo brinquinho em formato de dados. Prateado, claro. Meninas que não querem ser fúteis usam prata, nunca dourado. Só rindo!
A admiração pelo brinco é geral.
“Me dá um desse de presente?”, “Te dou de aniversário, tá?!”, “Meu aniversário demora, e não tem nenhuma data comemorativa perto. Me dá de dia do nada mesmo...”
A turminha gostou da idéia. Nos organizamos. O melhor dia seria 14 de novembro, um dia antes do feriado, e teríamos outro horário vago! Maravilha! Seria uma espécie de amigo oculto. E foi. Por muitos anos as garotas do Cidade Jardim comemoraram o dia do Nada com presentes e lanchinhos.
Depois, aquela do brinco de dado, mudou-se para o Timbiras e lá, criou o dia da Paixão. Um dia em que todos deveriam usar vermelho. O anúncio foi feito dias antes, e os professores levaram a sério, acreditaram que a data existia mesmo. E uma vez comemorada, passa a existir. O professor de Física anunciou ter comemorado com a esposa de uma forma bem romântica! A professora de Geografia vestiu o suéter vermelho mais charmoso. Teve concurso. Hellen e Edson ficaram de criar as faixas para os vencedores “Garoto e Garota Paixão 2000”.
“Hellen, você fez a faixa de um tamanho que caiba em qualquer pessoa?”
“Claro, eu pedi pro Michael experimentar e fazer peito!”
Else, a professora de Geografia foi eleita pela turma a “Garota Paixão 2000”. E fez um discurso inesquecível: “Na vida, a gente tem fazer tudo com paixão!”. Fazer tudo com gosto, com paixão, essa era a chave da felicidade. Uau! Criar datas e recordar delas com aquela mesma alegria adolescente colegial! Ontem, mandei três mensagens de manhã para grandes amigas: Duda, Bela e Paula: “Ei, feliz dia do Nada!”. Na certeza de que elas também se alegrariam com a lembrança da nossa data querida!

(comentários, temporariamente, para vistadacidade@yahoo.com.br)
por Didi às 23h26
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