Vista Da Cidade


Não torço pro bandido

Quantas vezes nossas autoridades planejam ver bandido seguindo a lei? Eu posso apostar uma ou duas. É triste. Só armas obsoletas estão sendo devolvidas, enquanto as poderosas continuam chegando, brilhantes, nas mãos da violência. Por que isso não me parece surpresa?

Desarmar por desarmar é muito simplista e gera mais insegurança. O processo tem que vir da mente, da educação, do trabalho. Para o mal-intencionado, caco de vidro é arma, faca de pão é arma, estilete é arma. E aí? Comprar uma arma não pode ser fácil. Isso não pode mesmo. Ela não pode cair nas mãos de crianças brincalhonas, motoristas estressadinhos, alcóolatras nervosinhos ou depressivos graves. Teria que haver muita fiscalização e muitos testes para o comprador e o vendedor. Algo tão difícil quanto passar para concurso de juiz. Intensamente difícil, pra pegar os bandidos mesmo.

Não gosto de ser contra nada. O “do contra” é o chato que só reclama e não propõe solução. "Chora a dor, mas não canta a cura". Sou a favor do desarmamento, desde de que ele comece de dentro pra fora. Desde que acompanhe o exemplo dos parlamentares (não o exemplo de agora). Desde que o tráfico de drogas pare de ser alimentado por adolescentes em crise, ou adultos sem noção. Desde que a polícia tenha vontade e recursos suficientes para fazer cumprir a lei. Desde que ninguém fique sozinho, indefeso, num mundo que não é cor-de-rosa. Desde que bala perdida seja aquela Chita que agarrou no céu da boca.

 

PS. Lembrei de mais um monte de motivos depois que terminei o texto: O caso dos fazendeiros, as poucas lojas de armas, o número de armas legalmente vendidas por ano, a pergunta pouco concreta do referendo, os traficantes que querem que todos votem "sim" para ganhar mais dinheiro com comércio ilegal, o período pré-ditadura que costuma desarmar os cidadãos, e, claro, lembrei da "Lei Seca" nos EUA.



por Didi às 16h52
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Eu não vou negar

Aconteceu algo estranho comigo. Apesar da relutância, fui ver “Dois Filhos de Francisco”. Não queria, mesmo com tanta gente falando bem. Quando a gente acha que não tem preconceitos, aí que eles tomam conta. Eu não queria ir ao cinema por preconceito mesmo. Por achar que a história ia ser bobinha, pieguenta (neologismo sim) e também por achar que não aceitariam mais minha carteirinha de estudante no cinema.

Estava completamente, mas completamente, completamente errada. O filme é lindo. Daqui dois meses, se ainda me lembrar dele com a mesma sensação, entrará para a lista dos prediletos. Quero mostrá-lo para todo mundo que rala na vida: meus pais, avós, alguns amigos, a moça que trabalha com minha avó, o seu Pitucha da oficina, o Moacyr do cachorro-quente (rua Mármore, em frente o Desde 1999), o pessoal da fundação, a Dona Selma que vendia doces na porta da escola e claro, o Pelé, baleiro (todos eles!).

Agora, tentando me fazer de “crítica de cinema”, escrevo: O filme joga com as emoções do espectador. Francisco surpreende na criatividade e nas iniciativas. Mostra que, na vida, a gente pode aprender com tudo: o galo da fazenda, o rádio, o sofrimento, o esforço, a repetição, o fracasso e o triunfo. Outra lição: Talento não é tudo, não é simplesmente nato e não põe mesa. E, pra não entregar tudo, a última lição que conto é “quem não tem dinheiro, precisa de anticoncepcional gratuito, isso ainda seria mais barato pro governo”.

O filme é sobre família, sobre as lutas, sobre otimismo. E, depois, música sertaneja tem seu lado legal. Mesmo a sertaneja que não é de “raiz”. Experimente colocar no som durante uma viagem pelo mato. Combina. Quero até comprar um CD. O que será que aconteceu comigo? Deve ser aquela coisa, danada de boa, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim.



por Didi às 00h13
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Para meninas

Um dia ela ganhou uma boneca linda, loira e de olhos azuis. Brincou por horas. No ano seguinte ganhou outra igual e largou pra lá. Achou que nunca mais quisesse brincar, e que sua infância tivesse acabado mais cedo. Até que veio a boneca negra, brilhante, de cachinhos... E, ainda há poucos palmos do chão, ela aprendeu que a graça estava na diferença!

 ..."Uns têm o que a outros falta, e o que a uns falta outros o têm; e assim sucessivamente. Mas o grande assunto reside em que ninguém quer dar a outro o que tem, porque pretende que o que tem é melhor que o que a ele falta e outro tem. É neste verdadeiro labirinto de cotizações dos fragmentos humanos onde se encontra a causa maior de todas as dissensões, e por sua vez, de onde parte a equivocada posição de todos os seres, sem exceção, a qual poderia definir-se com uma só palavra: incompreensão." Logosofia



por Didi às 12h21
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Manhã de um domingo

Lembra-se de “O Resgate de Jessica”? Aquela história verídica da bebezinha que caiu no buraco e ficou dias numa posição terrível dentro de uma vala, até que os bombeiros furaram outro buraco ao lado e tiraram a menininha. Um desastre com final feliz acompanhado pela mídia e transformado em sessão de gala, sessão da tarde e sessão coruja. Assisti várias vezes!

Hoje foi nossa vez, bem menos trágica, e, pra não perder o impacto, divulgarei no blog dando alguma repercussão pro evento sem, claro, criar um sensacionalismo besta. Aliás, “sensacionalismo besta” é pleonasmo.

Meu pai e eu ficamos trancados numa parte da casa. A chave quebrou. Tentamos lembrar de tudo que o Macgyver faria numa situação dessas e não deu. Desparafusamos as dobradiças com ferramentas alternativas, puxamos a porta enfiando uma revista por baixo, régua, tesoura... Nada. Dava pra construir muita coisa com os materiais, mas abrir uma porta, não. E nem como chamar um chaveiro havia pois a porta da casa estava trancada com ferrolho, trinco, chave comum e tetra-chave (não dá pra ficar seguro nesse mundo) e não tínhamos acesso à ela.

“Alô, Corpo de Bombeiros? É o seguinte, estamos com um problema inusitado...”

Em poucos minutos, um carro vermelho enorme estacionou na rua chamando a atenção de quem ainda não tinha acordado. Vários homens foram para a casa da vizinha de baixo. Examinaram nossas janelas. A do meu quarto foi escolhida. A vizinhança inteira olhando o homem descer do telhado até aqui pra fazer o resgate. Ufa! O pouco de claustrofobia passou. Foram supercompetentes. Demos algumas balas como forma de agradecimento. Sei que é pouco. Se um dia fizerem uma campanha bacana, vou tentar ajudar.

Uma vizinha falou que, se eu tivesse tranças para jogar pela janela... Já viu, né?! O importante é que estávamos salvos. E ainda bem que era domingo.



por Didi às 21h35
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Sobre bons modos e pimentas

Tenho que falar. Há uns tempos eu comecei a achar que todo mundo queria tirar vantagem de tudo e todos. Se falassem que você está bem é porque queriam algum favor, se cumprimentassem, se oferecem pra segurar a pasta no ônibus, se segurassem o elevador etc (não tem vírgula antes de etc). Tolice. Eu não tenho tanto a oferecer, então, não poderiam querer tanto de mim. Sorrio! Talvez isso seja o suficiente pra alguns. Pra mim é, às vezes.

Tenho um óculos (é plural, mas vou usar o singular mesmo) que adoro. Meu amigo Lucas me obrigou a comprá-lo na Chilli Beans. Eu tinha um outro desde os 12 anos de idade que o Lucas falou que me deixava parecendo uma hippie-cega. Custara 12 reais e era bom. Mas o Lucas tem isso, ele sente quando as pessoas precisam melhorar e, recentemente, comecei a ouvi-lo. Teve que me dar o desconto que ele ganhou pra eu fazer a compra. Se ele fica feliz com a felicidade dos outros... Viva o Lucas!

Então tá. Eu tinha o óculos novo, bonitão, quadradão e com preço bom. O óculos arranhou. Arranhou feio, não sei como. Liguei pra Chilli Beans. O atendimento de lá é muito bom. Muito bom mesmo e eu nem me identifico tanto com o estilo deles, mas eles têm noção das coisas. Perguntei se podia passar pasta de dente. Não recomendaram. Mas uma vez eu passei no meu relógio de correntes coloridas (18 reais) e funcionou. Passei um pouquinho... Não deu certo. Fui na loja. A moça me atendeu com toda a atenção. Explicou que os relógios conseguem ter uma película protetora porque são planos e que eles ainda irão conseguir isso pras lentes. Viva a ciência! Ficou de olhar novas lentes pra mim. Hoje ligou dizendo que ainda não conseguiu, mas que vai tentar trocar os óculos se precisar, ou me dar um super desconto. E eles nem têm culpa de eu ter arranhado o quadradão. Pessoas legais! Por isso estou fazendo a maior propaganda aqui. O que eles poderiam querer em troca de mim? Propaganda? Isso eu dou! Quero mais gente, mais empresas assim: que ajudam, que, pelo menos, atendem bem. Afinal, tudo volta mesmo. Mais cedo ou mais tarde as coisas se voltam. E nem precisa ler auto-ajuda pra observar isso. Chilli Beans, virei cliente pra sempre!

 

Obs. Eu não trabalho pra eles, não tenho amigos lá e não ouço Jota Quest.



por Didi às 19h41
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A voz do povo

uma homenagem ao flog da Kaká.



por Didi às 12h58
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Mas, mamãe...

Ela fazia bico e dizia para a mãe o quanto gostaria que os homens tivessem sido mais criativos com ela. Nem mesmo seus professores foram o suficiente. E se recusava a pensar na possibilidade de que só os homens mais afeminados teriam, também, o dom da criatividade. Pois, afinal, que preconceito seria este?

- Filha, aceite isso enquanto nada diferente lhe aparece.

- E viverei na caverna de Platão?

- Deixa eu te contar uma história. Seu avô, só depois de trocentos anos de casado é que, finalmente, arrumou uma dona de uma floricultura para ligar pra ele na véspera do aniversário de casamento para lembrá-lo da data e de comprar flores pra sua avó.

- ...

- Com um detalhe muito significativo: sua avó odeia flores.

Ela balançou a cabeça. Pediu licença. E foi assistir "queer eye for the straight guy".



por Didi às 12h59
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De Belo Horizonte, Minas.

vistadacidade@yahoo.com.br


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