Vista Da Cidade


Esse vídeo realmente me faz rir



por Didi às 00h38



O casamento

    Tenho uma amiga que diz que alguns anos são considerados anos de casamento e outros, anos de enterros. Espero que não seja exatamente assim, mas este é o ano dos casamentos.

    Nestas celebrações recentes reparei algumas coisas: 1) casamento voltou à moda 2) as pessoas acreditam no amor 3) as histórias se repetem.

    Também reparei em dois erros (ao meu ver) que continuamente são praticados pelos noivos: 1) escolhem uma dama de honra de menos de 4 anos de idade que sempre chora ou olha horrorizada para a platéia maquiada 2) os noivos não aproveitam a festa porque ficam tirando fotos protocolares antes de tudo. Minha sugestão é que deixem para a tirar as fotos no final da festa, ou outro dia e aproveitem a noite (ou o dia). Muita gente vai embora do casamento sem ter conseguido cumprimentar os noivos.

    Outro dia o taxista falou que as pessoas que casam não têm idéia do que as aguarda. Eu não sou casada, mas concordo, visto que convivência é a coisa mais difícil do mundo. Mas acho que é um exercício importante e eu gostaria de praticar (um dia talvez quem sabe). Porém, acho muito engraçado o povo que fica noivo e começa a falar sobre vida a dois com os solteiros. Pedante! E mais, é muuuuito assustador ver pessoas totalmente repulsivas com uma aliança na mão. Tipo, será que realmente tem um par no mundo pra cada um??

Num dos últimos casamentos que fui, já na festa, começou a tocar um forrozinho. Não tenho a habilidade, mas fiquei com vontade de tentar uns passos. Logo todo mundo se agrupou em duplas e começou a dançar. Sobrei. Fiquei com meus passinhos sozinha até que uma mão me puxou. Era o noivo. Divertidamente e sem perder a compostura, a gente rodopiou na pista até o fim da música. Pensei sobre o fato. É admirável um homem que sabe se divertir com outra mulher sem ser vulgar, sem segundas intenções e sem medo de ser pego no flagra. Não somos bichos, Sr. Darwin. Homens e mulheres podem sim conversar, rir e dançar juntos sem necessariamente o intuito do acasalamento. Sobre isso asseguro a verdade e dou fé.

Mas o casamento... Seja lá qual for a cerimônia, a verdade é que é o dia da noiva, não tem jeito. Aí os machistas reclamam, reclamam, reclamam... e depois reclamam que as mulheres reclamam. Mas afinal, elas merecem. E o que fazem estes homens da vida a não ser procurar o que há de mais próximo de um casamento?

Casamento é coisa cara, por isso tente não ir embora cedo da festa. É simpático prestigiar seu amigo ou amiga que economizou tanto para poder comemorar com você. Também é simpático dançar alegremente e comer moderadamente. Só leve os arranjos se realmente encontrá-los no lixo. E tire o salto só depois de Twist and Shout.

Casamentos são clássicos. Grandes clássicos. Tentam inovar, colocar colares, néons, chapéus gigantes, músicas diferentes. Ok. Mas o que acontece é que a gente sempre encontra a noiva de branco, jogando o buquê e girando a saia rodada ao som de Dancing Queen. Flashes eternos. Como, a princípio, seria também um casamento.



por Didi às 00h03



O grande pai

A Lili fez um texto sobre o dia dos pais (em atraso) e eu decidi fazer um sobre o meu. Afinal, eles (os pais) são tão especiais, queridos, atenciosos e tão tão tão peculiares...

 

Meu pai é o mais velho de uma família de dez irmãos. Ele é um homem muito responsável, trabalhador e esforçado. Mas que  guarda suas características intrigantes, interessantes e enigmáticas. Vejamos algumas.

 

Pelo telefone

Papai adora comida chinesa de um lugar X. Sempre pedíamos pelo telefone quando morávamos em outro ponto da cidade. Aí, nos mudamos e o lugar X não entrega aqui, mas recomenda sua sede mais próxima de onde moramos. Ocorre que papai cisma que lá não é bom, que ele quer do lugar X, então, durante 6 meses ele ligava toda semana para lá e perguntava se eles entregavam aqui. Eles não entregavam. E ele sempre com o mesmo discurso: “Não! Lá a comida vem toda revirada. Este atendimento está horrível. Estou indo para a concorrência”. Passava uma semana e ele ligava de novo pro X.

Sem contar quando alguém liga para oferecer assinatura de alguma revista ou jornal. Aí papai costuma falar mais que a telemarkista: “Olha, moça, eu sei que você tem que vender e bater metas, mas eu não posso assumir o compromisso de pagar alguma coisa assim pra sempre. Eu não quero assumir isso. É porque eu ficarisa preso, sabe?! Por exemplo, você tem casa de praia?”, e a telemarkista, “Não, senhor”, “Pois é, imagine se tivesse casa de praia, seria obrigada a ir todo fim de semana para lá. Não poderia nem variar a praia, porque você teria sempre que arrumar a casa...”. E continuava até a ligação “cair”.

 

Mais um membro da família

 

Papai nunca quis cachorro, nunca quis fazer um carinho em cachorro nenhum. Nunca se comoveu com esses bichos. Parecia um coração de gelo até que cheguei de surpresa com o Peter. Passadas algumas semanas, ele se apaixonou pelo cãozinho. Tanto, mas tanto, que a coisa se inverteu. Hoje o Peter sabe fazê-lo doar metade do almoço para seu paladar canino. O Peter dorme na cama dele, no travesseiro dele e fica irritado se meu pai tenta qualquer coisa para impedir. Peter já comeu mais de 10 bandejas de presunto que papai “esquece” em lugar acessível para ele. E agora, (quem te viu, quem te vê), papai é um eterno defensor dos animais em todos os cantos que vai e joga pão de queijo escondido pra yorkshire da irmã.

 

Vida Perigosa

Quando eu era adolescente achava chatíssimo pedir meu pai a tal aprovação para ir à alguma festinha. Isso porque meu pai exigia uma antecedência mínima de 7 dias para ele pensar se iria deixar e fazia questão de inúmeros dados como o tipo de local, tipo de música, número de pessoas, refeições, motivações da festa etc. Era tão chato que eu quase não saí na adolescência só de preguiça disso.

Na juventude já foi mais fácil, mas ele estabelecia normas para emprestar o carro:“se levar o carro, tem que voltar até meia noite”. Então, por isso, eu quase nunca pegava o carro, mas pegava carona com a Luciana, a Luiza e outras amigas que não tinham essa limitação. Até que um dia a Luiza fez a seguinte observação “Seu pai não quer que você vá de carro por segurança, né?! Mas suas amigas podem ir e tudo bem?”. Ironicamente, sim.

Também na época da escola, eu costumava voltar à pé ou de ônibus, mas papi leu nos jornais que a cidade estava mais violenta e passou a cobrar que eu voltasse de táxi quando não tivesse carona. Balancei a cabeça e continuei voltando à pé ou de ônibus, afinal, eu voltava com meus colegas, era realmente superseguro no sol da tarde. Certa vez, descendo do ônibus, dei de cara com o carro do meu pai na rua. Na culpa, acabei ligando pra ele e esclarecendo a situação. Em vão, pois ele nem tinha me visto...

 

Direção

Meu pai é realmente uma pessoa admirável. Ele sabe escrever bem, é um ótimo calculista, entende de construções, máquinas, informática, biologia, demografia, estatística... Ele é um “cabeção” como dizem alguns. Sempre dá aulas extras para os sobrinhos em recuperação e foi quem, a vida inteira, me ajudou a passar em matemática.

Mas se tem uma coisa que papai ainda pode aperfeiçoar, é no volante. Ele dirige focado em outros assuntos e acaba atrasando a vida de todo mundo. Exemplos? Quando eu era pequena, achava que o certo era andar no meio de duas pistas. Também achava que dar seta era uma mania da minha mãe. Mas como ele dirige bem devagar, é quase inofensivo aos outros seres da rua. Perigo só para os apressados.

Mas até que ele ganha de mim na corrida de elevador...

 

Leituras

 

Meu pai e eu temos o hábito de ler na cozinha. É nosso ponto de encontro. Atualmente estamos lendo o livro nutricional chamado “Uma Maçã por Dia” que fala sobre mitos e verdades em torno dos alimentos (ótimo, recomendo!). Um de nós lê, o outro ouve e depois comentamos o capítulo lido. Quando não é o livro, é jornal, revista, teste de revista etc.

Porém, me intriga que papai nunca lê meu blog. É zero coruja, sabe?!

Aí descobri uma forma de fazê-lo ver coisas que eu quero que ele leia: mando por e-mail.

Ele sempre vê tudo que está no e-mail. Todos os powerpoints, tudo tudo tudo. Ele vê com a maior paciência.

Então, papi. Este texto vai para o seu e-mail. Vai também para o meu blog.

Espero que considere uma homenagem. Pois falar de você é falar bem, e é também sentir saudades do meu companheiro de xadrez, de caminhadas, de restaurante à quilo... É querer ser uma filha melhor para o melhor pai do mundo. E também, o mais divertido!



por Didi às 01h15



Sampa, Beagá e Rio

 

Recebi um e-mail de feliz aniversário da moça que cortou o meu cabelo em São Paulo. E não era um e-mail padrão. Ela comentava coisas que conversamos no salão e dava os votos de felicidades.

Fiquei impressionada. Primeiro porque ela se lembrava, segundo porque ela se deu ao trabalho de ir até o computador escrever uma mensagem fofa para alguém que nem será cliente com freqüência, uma vez que eu moro em BH e só estive em Sampa a passeio.

 

São Paulo é uma cidade maravilhosa na questão relacionamento com o cliente. E, com certeza, isso se deve à enorme concorrência. O ambiente mental da cidade vibra a vontade de agradar na medida certa. Estivemos num bar/restaurante chamado Bar da Onça e chegamos bem depois da hora de fechar, eles apenas aguardavam os últimos clientes fecharem a conta. Atenderam-nos com cortesia e explicaram que a cozinha já estava fechando. Lamentamos, explicamos que éramos mineiros... E, quando viramos as costas, ouvimos o chamado. Eles reabriram. Ofereceram o que havia de melhor e reaqueceram a máquina dos churros para provarmos a famosa sobremesa. Ficamos fãs!

 

Em outro ponto, numa loja de roupas, comprei algumas peças em promoção e terminava de pagar quando perguntei com fome: “Tem alguma lanchonete aqui por perto?”. A gerente informou que tinha uma muito boa há duas quadras. Começou a explicar e mudou de idéia, “ah, eu vou lá com você”. Ela foi, me apresentou o lugar e lanchou comigo. Contou que nascera numa tribo indígena e foi morar em São Paulo com 10 anos. Uma história superinteressante que ganhei de brinde na hora do lanche.

 

Fora isso, tivemos ainda diversos outros bons atendimentos, pequenos gestos de delicadeza e a boa vontade que sentimos em cada pessoa.

 

Em BH, temos de tudo: pessoas com boa vontade, pessoas com má vontade, pessoas com vontade alguma. Claro, em Sampa também, mas eu defino a boa como padrão para lá. Gosto muito do atendimento do Creps, por exemplo. Os funcionários já sabem o ponto que eu gosto da massa e são sempre, sempre, sempre muito simpáticos. Gosto também da maioria das lojas. Ontem a Giullia da Maria Filó foi tão cortês ao trocar uma blusa que acabei gastando mais e levando mais blusinhas. Assim como as meninas da Chilli Beans, Lucy in the Sky e várias lojinhas, feirinhas, brechós, salões etc. Porém, existe uma... ali na rua de trás do Diamond Mall que me deixou chocada com o atendimento. Além da mulher não levantar da cadeira para receber ninguém, quando eu perguntei se era fabricação própria, ficou “ofendida” e começou a reclamar que eu nunca perguntaria isso se fosse numa loja famosa. Sabe esse complexo de inferioridade mineiro? Ridículo. O porteiro do prédio do lado falou que todo mundo sai da loja reclamando do atendimento. E pega mal pra Beagá, né?! Sem noção...

 

No Rio eu era fã de tudo. Tenho muita vontade de morar naquela praia. Lá também dá de tudo. Mas a maldita malandragem também é freqüente. Se você é turista, cobram mais caro. Na conta, os 10% do garçom eram 13%. Numa casa da Lapa, depois de meia noite, mulher paga, mas eles te seguram até 23h59m para cobrarem depois. Não aceitei. Mas, tirando isso, muita gente é fofa também. Adoram mineiros.

E isso não é necessariamente só em relações de consumo. Em BH existe um fenômeno acontecendo que é o de excesso de mulheres. Aqui as mulheres, em sua maioria, são lindas, interessantes, simpáticas e inteligentes ao mesmo tempo. Enquanto os homens, os mimadinhos de cassa, são estranhos, medrosos e muito imaturos. Mas temos ainda salvação. Adoro minha turma da faculdade. Adoro meus colegas de trabalho. Nem tudo está perdido. Além disso, temos sempre a possibilidade de botar o pé na estrada e rever esse mundo mágico da gentileza, da beleza do gesto, da doçura no trato do dia-a-dia.



por Didi às 12h32



Refletindo sobre liberdade e felicidade. Um post sério.

 

Outro dia comentei no trabalho que se fosse saborear tudo que tenho vontade, seria uma pessoa enorme. Aí me questionaram “e daí?” e respondi “e daí que eu gostaria de beijar na boca de vez em quando também”.

Na verdade, a resposta certa seria “e daí que eu teria problemas de saúde, teria menos fôlego para passear com meu cachorro, jogar futebol aos sábados, patinar com meus primos, subir e descer ribanceiras atrás de insetos legais, dormir tarde e acordar cedo”. E daí isso.

Mas entrei na ondinha do beijo na boca e emiti a resposta errada. Então vieram me falar que a mulher que se ama, sempre terá um homem para amá-la, que a aparência não é importante e tal.

Pois bem! Eu ri, mas pense bem, apesar de a aparência ter a sua importância sim (!) e de eu me amar muito sim (!!), realmente não preciso emagrecer ou deixar de engordar para ninguém além de mim, a eu mesma!

Faz algum tempo, muito tempo para a minha idade, que não me ligo mais na idéia de encontrar um homem ideal. Primeiro porque meu dedo é podre mesmo. Segundo porque não faz tanto sentido mais, para mim, colocar a felicidade em beijo na boca.

Assistindo a um programa especial do Saia Justa, as garotas lembravam Simone de Beauvoir que colocava a função da mulher na procura da liberdade e não da felicidade.

Eu não sabia desse “detalhe”. Mas, claro! Adorei! A liberdade, assim como a felicidade, é dificílima de conquistar, mas totalmente pertinente de ser buscada. E a conquista da liberdade deve realmente ser prioridade para a mulher uma vez que a felicidade pode ser a sua conseqüência. E colocar um homem no meio disso tudo não é o mais aconselhado. Eles podem ser ótimas companhias, mas e se não forem?

Não assim gostaria que fosse compreendido que julgo uma mulher pela quantidade de homens ou não. Isso não é problema meu. Nem seu. Como diria uma amiga, “a vida sexual é como uma opção de se vestir de verde ou azul: ninguém tem nada com isso”. E a liberdade, ainda bem, não se limita à vida sexual, embora muitas vezes isso seja confundido. No meu ainda juvenil entendimento, a liberdade está em ter o conhecimento e a capacidade para poder fazer o que quiser e, assim, ser feliz!

Está longe para mim. Preciso comer arroz demais, pisar em pedra demais, suar horrores até poder escolher tudo que quero. Mas faz tanto sentido agora...

Por isso o regime, por isso o futebol, por isso o blog, por isso Peter, Buenos Aires, dois cursos, cabelo repicado e a galinha que comprei há dois meses. Porque é o que no momento quero. E posso.



por Didi às 00h29



Na alegria e na tristeza

 

Sábado passado foi aniversário dele e não pudemos comemorar juntos porque tive um curso o dia inteiro.

A questão é que todo sábado a gente sai junto como se fosse a primeira vez. Saio orgulhosa de estar ao lado dele. E acho que ele sente o mesmo. Isso nos faz muito bem. Portanto, hoje o texto é brega. Porque, como diria a Thais, “o amor é brega”.

Ele é um constante motivo de alegria. Sempre divertido, esteve do meu lado nos piores e melhores dias.

Nossa sintonia é a melhor. Com um olhar, ele sabe o que estou sentindo. Algumas vezes me faz rir, outras, oferece um abraço. É a única carência da qual não tenho aflição.

É amigo dos meus amigos. Se dá bem com a minha família. Tem preguiça de gente fresca(!).

É um exemplo de disposição, companheirismo e superação.

Sabe me esperar e sabe me apressar. Sabe, inclusive, pedir desculpas.

Em uma de nossas últimas brigas, fiquei chateada, enfiei o dedo na cara dele. Falei alto. Ouvi também. Por fim, cansada de brigar, sentei ao seu lado na cama. Triste, pegou minha mão devagar. Deitou-se sobre ela como quem pede trégua. E, com ternura, estava desculpado.

Ele é certamente um grande amigo. Quiçá o melhor. Já me livrou de um assalto. Já me curou de doenças. Cabra macho, mas carinhoso. Forte, mas dócil. Esperto, mas leal. É meu guia, meu prozac, meu porto seguro, minha eterna paixão à primeira vista.

Com Peter sei o que é amor incondicional. E agradeço a Deus por esse presente maravilhoso.

Quero pra sempre esse cachorrinho. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença.

É de amor que estou falando.

 

 

Ps. ;-)



por Didi às 16h15



De frente para o espelho

O caso que vou contar agora aconteceu com uma amiga de uma amiga da minha mãe. Embora esteja muito distante e pareça mentira, é verdade. Mas tanto faz se acreditarem ou não. Também sou mais adepta à pulga atrás da orelha que à crença.

O garoto estava assistindo a avó se aprontar. Ela fazia escova, passava base, blush, rímel, lápis de olho e batom.

- Vovó, pra que isso tudo? - ele pergunta.

- Ora, pra ficar bonita! - vovó fofa.

- E por que não fica?



por Didi às 18h43



Ser ou não ser Susan Boyle

Me desculpem os esquentadinhos, os impacientes, os bicudos, mas eu vou falar do assunto da vez e não é gripe suína, crise, emprego e desemprego. Eu quero falar dessa senhora que deu um “calaboca” na antipatia do mundo que faz a gente engolir 98346246 pessoas arrumadinhas-frescas para ter direito a um pouquinho de qualidade.

O vídeo que enfeitiçou todo mundo na Internet me foi passado pelo Flávio (o mesmo que me apresentou o orkut, o limewire e todas as coisas que já foram novidades virtuais). Na hora, achei bonito, simpático, nada mais. Depois entendi o que aconteceu. O povo gostou de ver alguém fora dos padrões subir na vida, encantar, e bater récordes inimagináveis. Porque a gente tem pouca chance mesmo. E talvez tenhamos pouco talento também. Mas é bom quando alguém mostra que é possível.

Requer a capacidade de enxergar nossos sonhos realizados na vida dos outros. Já enxerguei muitos! É só conseguir segurar a inveja.

Só que outro dia, em conversa de salão (!) a gente se perguntava por quê tragédia faz tanto sucesso. E nossa conclusão foi triste: parece que gostamos de saber que existe gente no mundo pior que a gente. Assim a inveja não corre o risco de aparecer. Gostamos de falar “que coisa horrível que ele fez, como pôde?” e nos sentir um pouquinho superiores. Só porque não somos horríveis... Que diferencial...

E a verdade é que Susan Boyle inverteu esta regra. Como o jornal dizia “Is Susan Boyle ugly? Or are we?”. Ela engoliu as risadinhas para rir por último! Inverteu nossos (pré)conceitos. Enquanto a gente se gabava de não aparentar uma idade maior, de beijar na boca desde cedo, de viajar sem os pais, ela se dedicava à mãe, ao vilarejo, ao som das músicas e pouco tinha de relacionamento com homens. E mais uma vez a história do patinho feio mostrou sua lição. Entre o que temos e o que ela tem, desculpem, senhores, Susan Boyle é melhor que a maioria de nós.

E isso, agora, nos faz feliz. Quando a platéia debochada aplaude de pé e suplica por perdão internamente. Susan se despede, com um beijo afetuoso e o sorriso verdadeiro. Isso, sim, nos faz bem. Não faz?

 

Ps. Veja também o Paul, mas segure o choro.

 



por Didi às 01h54



Mi Buenos Aires querida

Eu estava numa fase alucinada: trabalho/estudo, estudo/trabalho etc.

A Silvinha morava em Buenos Aires e insistia que fosse visitá-la. Eu teria estadia gratuita! Minha família conseguira acumular algumas milhas de tanto trabalho. Eu teria passagem ida e volta!

Então, só me faltava o tempo. O que, com muito custo, arrumei. Despedi da turminha do futebol e embarquei. Sentei apertada no avião entre uma senhora e um argentino. Quem diria que seria a melhor viagem da minha vida!

A senhora começou a se sentir mal com a decolagem. Fui acalmá-la e perdi o recado do comandante. Perguntei para o rapaz do lado. “O que foi que ele falou?” e ele arrancou o fone de ouvido e disse “si?”. “Ora, um argentino!”. Não era um simples argentino. Ele era guitarrista, apaixonado por cachorros, seriados, trabalhava na Inglaterra e só tinha um defeito: não curtia Gotan Project.

Começamos a conversar os três. Nem sempre a gente entendia o que um falava. Mas era bom. Era engraçado. No final da viagem já estávamos ouvindo música no mesmo Ipod e imitando vozes da televisão. Foi tão divertido que uma outra brasileira me perguntou no aeroporto de Buenos Aires “ou, vocês se conheceram no avião mesmo?”.

Sim, ficamos amigos, trocamos contatos. Mas a esperta aqui inventou que tinha “mais ou menos” um namorado. Dã!

Em Buenos tudo era festa! Silvinha foi uma perfeita anfitriã. Me recepcionou com cartinhas, presentes, passeios, roteiros e a melhor turma de amigos que trabalhava com ela. Americanos, ingleses, africanos, europeus, portenhos... A turma mais bonita que eu já vi (páreo duro para a mineirada). De repente, eu falava espanhol, falava inglês e o mundo era encantado!

Passeava o dia inteiro pela cidade. Adorando os metrôs, participei de uma mímica lá! Comia pouco, mas bem. Conversava com o povo na rua. Até ajudar em mudança de desconhecidos eu ajudei. Fui ao zoológico, jardim botânico, japonês, cemitério, vários museus, lojas, becos, ruas floridas. Tudo sozinha. A Silvia trabalhava. Chegava cansada de noite. A gente abria uma garrafa de vinho ou champagne, ligava um filme e passava máscara de argila na cara! Eu disse que ela era ótima.

Alguns dias fazíamos caminhadas. E em Buenos Aires sempre tem gente na rua a noite inteira. Muita gente! A cidade vibra tango. Dá para andar tranqüilamente, quiçá, dançar. E nada de cães abandonados...

O dia em que Silvinha foi ver a Madonna, fui para um pub da esquina. Confesso que senti pena dela no show: o "SálvameMaría' não perdia em entretenimento. Ah, os hermanos!

Bom, meu último dia, foi também a noite da despedida da Silvia que voltaria para o Brasil. As brasileiras fizeram uma coletânea de músicas brasileiras (nada de MPB, foi funkão mesmo). Porém, a melhor parte da festa (regada a caipirinha e Quilmes) ocorreu ao som de música bem internacional. Enquanto o vocalista anunciava "I could be brown, I could be blue, I could be violet sky", me lembro de ter pensado que aqueles eram os melhores segundos da minha vida naquela hora em que todo mundo dançava no ap da garota carioca. Ali, quando se via que o mundo inteiro é cheio de gente bonita e interessante. E eu presa à Belo Horizonte, inventando que tinha namorado...

Dã!

 

 



por Didi às 01h25



A bolsa

Meu curso de artrópodes foi muito bom, fiz tantas anotações que acho que renderia vários posts. É uma possibilidade. Porém, venho cumprir a missão de divulgar a indiscreta brincadeira de "o que há na sua bolsa" proposta pela Lu Voll.

Ok, segue a foto. (as patinhas ao fundo são do querido Peter que, infelizmente, não posso levar na minha bolsa).

 

Dentro dela estão muitos papéis (contas, idéias, telefones, e-mails etc), o celular que minha tia me deu (depois que ficou com dó do meu que era preto e branco e não tocava mais, custou a ela um real), doguitos para cães de rua (pacote amarelo, 3,70 reais), escova de dente e uma pasta (presente da Dani, minha dentista perfeita), carteira vermelha de tecido (29,90), corretivo da Natura (19,90), caneta Malba (3 ou 4 pesos), protetor labial (7 reais) e dois bandaids (o seguro morreu de velho).

A bolsa em si é de um tecido emborrachado muito legal. É raramente usada pois já está bem velhinha. Há uns 6 ou 7 anos custou cerca de 20 reais na Renner.

Faltam muitas coisas nesta aí. Minha bolsa do dia-a-dia tem uns 3 estojos: um pra maquiagem, outro pra utensílios, outro pra canetas/ tesoura/cola/gravador/pen drive. Nada custou caro e as coisas mais valiosas foram ganhadas. Tenho mania de economia. Já comentei isso aqui? Adoro esse meu lado (que nem sempre cai bem).

Lu, beijo pra você. Saudade! Divertiu-se?



por Didi às 00h51



Um feriado maravilhoso

Não, eu não estava maluca. Desde que vi o curso de verão oferecido pela UFMG fiquei muito animada. Um curso de observação de insetos! Ora, como voltar à infância por apenas 15 reais. Talvez eu já tenha passado da fase das micaretas, mas nunca é tarde demais para passar horas brincando com um bezouro ou o tatu bolinha (ainda que não seja exatamente um inseto). Aliás, semana passada salvei um grilo do sufocamento. Depois conto esse caso. Ou não.

Hoje recebi nova proposta de programa para o carnaval (como é bom ter amigos!). E este ganhou como o mais programa de índio. A mensagem no celular dizia "Tenho uma casamento indígena para ir numa tribo sábado. Vamos comigo?". Estou pensando ainda.

Enquanto isso, quem se interessar pelas oficinas de carnaval da UFMG, o link é http://www.ufmg.br/festivaldeverao/

Além disso, vale lembrar que a UFMG oferece o ano inteiro outros tipos de cursos interessantíssimos para toda a comunidade e nem precisa fazer vestibular ou pagar caro. Cursos de Mandarim, Francês, Hidroginástica, Corrida, Segurança Pública e muitos outros podem ser encontrados no site. Quem tiver notícias de cursos/oficinas/atividades/atendimentos ou coisas do gênero em BH e outras cidades, sem fins religiosos, que tenham um preço bem mais em conta, pode me mandar que linko aqui.

vistadacidade@yahoo.com.br



por Didi às 23h43



e o carnaval?

Minha prima: - Di, vamos com a gente pra Cabo Frio no Carnaval?

- Não, obrigada! Vou fazer um curso.

Minha tia: - Se você quiser ir pra Angra, tem espaço lá pra você?

- Não, obrigada! Vou fazer um curso.

As duas: - Mas curso de que??

 

 

Aguarde... Resposta no próximo capítulo!



por Didi às 00h38



Sou

Toda vez que o interfone toca aqui em casa, Peter acha que é a moça que arruma a casa. A musa dele. Ela sempre jogou metade do almoço para ele, e, assim, comprou o amor do meu cachorro.

Ocorre que nem sempre que o interfone toca, é ela.

Outro dia aconteceu. Tocaram no apartamento errado. Atendi e esclareci. Mas o Peter não entende. Para ele, interfone é Eliete. É a felicidade chegando.

Nesse dia reparei como ele ficou inquieto, olhava para a porta, abanava o rabo sem parar, corria para a cozinha e voltava para ver se ela adentrava do outro lado.

E esperava. Esperava. Esperava.

Por fim, deitou-se como uma seta que apontava para a entrada. E ficou ali, aguardando alguém que a gente sabia que nunca chegaria.

Meu cachorro não é tão mais irracional que nós mesmos. Desculpe informar.

A gente olha o celular de 5 em 5 minutos. Começa a ter alucinações de que ele toca. Sente o scrap chegando no orkut, a mensagem no gmail, o carro parando lá fora. Procura aquela pessoa com a bandeja do Mc Donald’s atravessando a praça de alimentação sorrindo para mim. E cadê minha festa surpresa particular? E o meu "bom dia, querida"? Meus fins de semana na cachoeira e a corrida de elevador? E a decicatória na capa do trabalho?

A gente não é tão racional assim. Eu não sou.

Ainda paro o carro para tirar um passarinho do meio da rua. Ainda cumprimento estranhos. Trabalho de graça. Finjo que não vi. Decoro falas, invento finais, pisco pra bebês, grito com nota de prova. Ainda quero um grande amor, quinze vira-latas, dois filhos, sete hobbys e três profissões diferentes.

Eu ainda quero.

E ainda espero, em constante atividade, a felicidade que ficou de chegar ali.

 

 

Ouvindo: Janta – Marcelo Camelo



por Didi às 03h17



ê, vida

Não faça comigo o que eu não gostaria que fizessem comigo.

 



por Didi às 00h31



O melhor reveillon da minha vida

 

Deve ter sido no início dos anos 90. Eu era criança-adolescente.

Estava no sítio de uns amigos com a minha família e a família deles. Tinha piscina, hortinha e muito espaço pra correr. Todo mundo era amigo. Época boa!

Faltavam alguns poucos minutos para a virada quando vimos uma manada de cachorros vira-latas adentrando o sítio. Nós, os pequenos, entusiastas de cachorros, corremos atrás deles. Eram cachorros aos montes que fugiam de outra parte do condomínio por causa dos foguetes. Cachorro não gosta de foguetes.

Pegamos cada um, abraçamos, demos comida. Enquanto ouvíamos os adultos gritando para brindar a virada com a gente, abraçávamos mais os cachorrinhos e apreciávamos, de longe, a queima de fogos dos vizinhos.

Foi assim o meu melhor reveillon. Com a surpresa de encontrar seres que precisavam de alento, e com a alegria de estar entre amigos.

 

Todo reveiloon, a princípio, é bom. Alguns são adultos demais, outros caros demais. Outros estranhos. Mas tudo bem.

Ontem passei a virada na casa da minha tia. Mas meu primo queria conhecer o reveillon do clube e só podia ir se a Superprima aqui fosse com ele.

Entramos lá e ele se separou de mim imediatamente. Claro, foi pra boite adolescente. Esperei uns quarenta minutos assistindo o show dos adultos. E fui chamá-lo. Ele não queria ir embora. Ok, a Superprima pode esperar sentada ali no canto, conversando com a moça da limpeza (que, aliás, é ótima).

Finalmente, quatro horas da manhã, eu o convenço que a festa já deu o que tinha que dar. Vamos embora!

Chego em casa. Meu cachorro me esperava deitado no sofá. Na preguiça de me receber direito ele nem se levanta, só abana o rabo.

Me amontôo junto a ele. Cheirinho de vira-lata fofo. Ajeito as almofadas. Abraço o cachorrinho. “Feliz ano novo, Peter”. Ele dá um suspiro típico. 2009 começa bem. Afinal, valeu a pena.



por Didi às 17h02


 

De Belo Horizonte, Minas.

vistadacidade@yahoo.com.br


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